Rio de janeiro, 05 de Setembro de 2010

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Ataque Israelense ao Comboio Humanitário

Publicado em 16/07/2010 por Alex Mendes

Ataque Israelense ao Comboio HumanitárioO mais recente ataque das forças de Israel a grupos que tentaram furar o bloqueio a Faixa de Gaza, além de deixar o saldo trágico de dez mortos, nos remete a questões históricas e complexas sobre os conflitos árabes-israelenses, em sua disputa pelo território da palestina e é justamente estes aspectos que precisamos compreender adequadamente para superação de fatos como estes e para a construção de um processo de paz efetivo e duradouro. Vamos assim aos conhecimentos que são essenciais para possíveis certames que virão a cobrar esta matéria:

A área da Palestina até o século IV d.c era considerada pelos judeus como o Estado de Israel ocupado pelos Romanos, e com a perseguição promovida por estes, com a conversão do imperador romano ao cristianismo, no mesmo século IV, ocorre a “diáspora judaica” (dispersão dos judeus pelo mundo) e o Estado de Israel deixa de existir. A partir do século VIII grupos de islâmicos iniciam a ocupação da palestina, formando o povo palestino (árabes islâmicos).

Do século VIII até o final da 2ª Guerra Mundial (1939-45) judeus e palestinos conviveram em relativa paz, contudo com o holocausto judeu no conflito mundial – 6 milhões de mortos – a recém criada ONU propõe a divisão da palestina em dois Estados – um palestino e outro judeu.

Em 1948 Israel é criada por declaração unilateral judia, os palestinos não aceitam a divisão e o Estado Palestino não foi criado até hoje. Da década de 1940 até hoje tivemos inúmeros conflitos e tentativas de tratados de paz, sem qualquer êxito aparente. Mas Israel nos conflitos de 1967 (Guerra dos Seis Dias) e 1973 (Guerra do Yom Kippur) passou a anexar os territórios da Cisjordânia, Jerusalém Oriental, Faixa de Gaza, além de estimular assentamentos judaicos na área árabe, o que por si só é considerada usurpação de território e provocação.

Por outro lado os Palestinos com grupos radicais (Hammas, Hezbollah, Jihad Islâmica e Mártires de Al Aqsa) reagem com ataques terroristas o que só provoca mais violência israelense, inclusive com a construção de um muro separando as áreas palestinas da Cisjordânia do restante de Israel propriamente dita (Muro da Cisjordânia)

Em o 2007 o grupo radical Hammas ganhou as eleições na faixa de Gaza e imediatamente expulsou a Autoridade Nacional Palestina deste território (esta liderada pelo Sr. M. Abbas e tendo apoio político no moderado grupo Fatah). A partir daí e com possível apoio do Irã e Síria o Hammas iniciou ataques com mísseis Kassam a Israel o que determinou num primeiro momento no bloqueio terrestre e naval a Faixa de Gaza pelos israelenses.
Em 2008 (dezembro) Israel promove amplo ataque aéreo e terrestre sobre Gaza que destruiu completamente a infraestrutura da região e impõe severas restrições a circulação de ajuda humanitária e de circulação de palestinos na região.

Israel suspeita que haja contrabando de armas para o Hammas via navios de possíveis órgãos de ajuda humanitária, e assim no caso do comboio do grupo Gaza Free, o país avisou que só seria permitida sua aportagem em Ashdod, onde carga e passageiros seriam revistados, antes de ser permitida sua passagem. O grupo considerou ridícula a exigência e tentou furar o bloqueio, causando assim a intervenção militar de Israel.

A questão reveste-se assim de três pontos importantes a saber:

1. A questão palestina ainda não resolvida, ou seja, o Estado de Israel foi criado e o Estado Palestino não. Isto é motivo para gravíssimos conflitos na região que envolve disputa étnica, religiosa e territorial.

2. Israel não pode continuar a receber o apoio irrestrito dos EUA e UE para a prática de ações com uso da força desproporcional como esta, sobretudo em águas internacionais, como um aval ilimitado. A comunidade internacional que exige acertadamente que o Irã se submeta as inspeções da AIEA sob ameaça de sanções, tem de usar o mesmo critério sobre Israel, para fazê-lo adequar-se a prática do respeito à resolução da ONU de 1947 que determinou a divisão da Palestina em dois Estados e não apenas o israelense.

3. Grupos como o Gaza Free não podem querer furar um bloqueio na força se alegam ser de ajuda humanitária. Pois Israel tem razão em saber que muitas das armas que abastecem o Hammas vem por via marítima via alegação de ajuda e na verdade são contrabando e que só ajudam a criar violência na região. O grupo faria melhor se submetendo as autoridades israelenses e assim fazendo chegar à ajuda a quem de fato necessita: o povo palestino.

Um forte abraço, bons estudos e até a APROVAÇÃO!

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